ENTRE POLÍTICAS E PRÁTICAS: DESAFIOS ESTRUTURAIS DA DOCÊNCIA EM LÍNGUA PORTUGUESA NO TOCANTINS
Andreane Dantas da Silva Peres, Asmaa Saber Attia, Cleliléia Neves Silva Crepaldi, Eudina Pereira da Silva Sandri, Lucas Luís Pereira da Silva Oliveira, Iraneide Borges Taveira de Sousa, Poliana Alves de Oliveira, Ruth Aires Dias Teles, Wagner Rodrigues Silva
Resumo
Este artigo estabelece um diálogo com o Manifesto dos Multiletramentos (Cazden et al., 2021), evidenciando que algumas de suas proposições ainda se configuram como desafios para o ensino da língua materna no contexto escolar brasileiro, com ênfase na rede pública do Tocantins. A pesquisa, de abordagem qualitativa e documental, analisou memoriais acadêmicos, documentos oficiais e interações digitais de professores, interpretados à luz de Signorini (2007) e Street (2014). Os dados indicam que fatores como a desvalorização financeira e social da profissão, o acúmulo de tarefas burocráticas e fragilidades na formação inicial e continuada comprometem a autonomia docente e dificultam a adoção de práticas pedagógicas coerentes com os multiletramentos. O cenário observado revela um magistério submetido a políticas prescritivas e a processos formativos pouco contextualizados, o que limita a construção de experiências de aprendizagem críticas, criativas e sensíveis às realidades socioculturais dos estudantes. Enfrentar esses desafios requer políticas públicas que assegurem condições dignas de trabalho e valorização profissional, reconhecendo o professor como agente central no fortalecimento dos letramentos e na democratização da educação.
Palavras-chave
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